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Congresso debate saúde mental no trabalho
O 14º Congresso Latino-Americano de Serviços de Saúde, que apresentou
módulo sobre Saúde Mental, abriu a tarde de 3 de junho com a palestra
Saúde do Trabalhador: Os Adoecimentos Causados pelo Atual Modelo Social
e Econômico, proferida pelo médico psiquiatra Rubens Hirsel Bergel, da
Faculdade de Medicina da USP. Ele abordou problemas como o absenteísmo
no trabalho, que pode ter origem em fatores como saúde, problemas pessoais,
vícios como álcool e drogas, desmotivação, e outros. Segundo ele, o presenteísmo
(situação em que o profissional está presente, sem, no entanto, produzir
como deveria), é um problema organizacional ainda pior, podendo ser originado
por insatisfação, pessimismo, desânimo, estresse, entre outros fatores.
Outro problema que as empresas enfrentam, apontado como a maior causa
de incapacitação no mundo, é a depressão, abordada em palestra apresentada
pelo presidente da Associação Psiquiátrica de Brasília, Antônio Geraldo
da Silva, que falou, ainda, sobre absenteísmo e qualidade de vida. Enfatizando
que a depressão é uma doença como qualquer outra e que, portanto, deve
ser tratada, ele alertou para não ser confundida com uma simples tristeza,
que dura menos de quatro meses e que não afeta com intensidade a vida
da pessoa. "Um funcionário custa muito caro para a empresa. Invistam
num ambiente melhor de trabalho, e entendam que trata-se de uma doença
e não falta de caráter."
O chefe do departamento de Psiquiatria, da Faculdade de Medicina de São
Paulo, Valentim Gentil Filho, também apontou as doenças mentais como as
principais causas de incapacitação no mundo, durante palestra sobre o
custo-efetividade em esquizofrenia e outras psicoses. Ele afirma que,
ao contrário do que se pensa, o índice de doenças mentais está aumentando
no mundo. "Nenhum governo foi capaz de desenvolver programas de prevenção,
a partir dessas informações. O mundo está desassistido na área de saúde
mental. A OMS deveria chamar atenção para isso. No entanto, há um conflito
de interesses", analisa ele. Valentim Gentil enfatizou, ainda, a
necessidade de ser criada uma política de saúde mental e não de doença
mental.