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Módulo de saúde mental aborda modelo de atendimento à doença
O módulo de saúde mental, apresentado no dia 3 de junho pelo 14º Congresso
Latino-Americano de Serviços de Saúde, teve abertura do presidente da
Federação Nacional dos Estabelecimentos de Serviços de Saúde (FENAESS),
Humberto Gomes de Melo, que é médico psiquiatra e demonstrou orgulho em
ter o tema saúde mental como parte do ClasSaúde.
O evento começou discutindo as consequências sócio-econômicas do atual
modelo de atendimento às enfermidades mentais no Brasil, em palestra proferida
pelo presidente da Associação Psiquiátrica de Brasília, Antônio Geraldo
da Silva, e coordenada pelo diretor do SINDHOSP, Ricardo Mendes. Geraldo
da Silva apresentou os reflexos da doença mental na população. De acordo
com ele, entre 20% a 25% da população possui prevalência de problemas
mentais, excluídas aquelas relacionadas a álcool e drogas. "Das dez
principais causas de incapacitação no mundo, cinco são por doenças mentais",
informa.
Para falar sobre o tema Responsabilidade Social: A Necessidade de Organização
de Serviços para o Dependente Químico, o professor titular de Psiquiatria
da UNIFESP, Ronaldo Laranjeira, apresentou as bases para o cuidado em
saúde mental, do livro intitulado "Better Mental Health Care",
que aborda o equilíbrio entre hospital e cuidado comunitário, modelo de
complexidade crescente, internação de longa duração, recursos residenciais
e reabilitação. "Temos que pensar na doença mental como complexa.
Soluções simplistas, como as apresentadas pelos CAPS, não resolvem o problema",
analisa.
Durante a palestra Perversões e Ambiguidades do Sistema de Saúde Mental,
José Geraldo Vernet Taborda, do Hospital Materno Infantil Presidente Vargas,
apresentou termos e palavras consideradas ambíguas, como "doença
mental" e "psiquiatria". Segundo ele, a palavra psiquiatria
só tem sido usada com caráter pejorativo, sendo substituída pelo termo
saúde mental.
Para finalizar as discussões da manhã, foi apresentada a trajetória da
reforma psiquiátrica no Brasil, pelo professor titular de Psiquiatria
da FMUSP, Valentim Gentil, que traçou a história da reforma, desde o início
da luta anti-manicomial, até a implantação da Lei 10.216, de 2001. "A
Lei 10.216 não está sendo cumprida. Se a saúde é direito constitucional,
como se explica que 50% da população não têm atendimento?". Ele informou,
ainda, que dos R$ 760 milhões destinados aos cuidados extra-hospitalares,
somente R$ 252 milhões foram usados para a criação dos CAPS.